Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

VIDA DE BOB MARLEY

 

Vida de Bob Marley


Bob Marley nasceu no pequeno condado de Nine Miles, no estado de St. Ann, na Jamaica, em 6 de fevereiro de 1945. Filho de um militar inglês branco e uma negra, Bob foi criado sem o pai, que o abandonara antes mesmo de nascer. Mas foi no gueto de Trench Town, para onde se mudou mais tarde, que Bob começou a fazer história. O gueto era um lugar pobre, perto da capital da Jamaica, Kingston, para onde migravam camponeses de toda a parte do país, para tentar uma vida melhor na cidade. Foi lá que Bob conheceu seus primeiros parceiros musicais, Winston Hubbert Mcintosh (Peter Tosh) e Bunny Livingstone (que mais tarde passou a se chamar Bunny Wailer)e mais tarde sua mulher, Rita. Foi frustado com a carreira de ajudante de soldador, que Bob, finalmente, resolver tentar a carreira musical. Em 1961, Bob, Peter e Bunny montam os Wailing Wailers. O primeiro compacto foi "Judge Not". Daí para o primeiro Sucesso, "Simmer Down" se passaram 3 anos. O rythim'n'blues americano associado ao som local, o mento, formava o ska, que contagiava a ilha. O reggae foi uma evolução do ska, que foi ficando mais lento, já que os dançarinos da época reclamavam do calor que sentiam ao dançar o rápido ritmo. Em 1966, Cedella, mãe de Bob, batalhava algum dinheiro nos EUA e Bob foi morar com ela, mas antes casou-se com Rita, no dia 6 de fevereiro do mesmo ano. Bob foi para os EUA e trabalhou na fábrica de montagem da Chrysler, mas 7 meses mais tarde estava de volta à Ilha, onde encontra uma Jamaica diferente, que vivia sob o impacto da filosofia rastafari, devido à visita de Hailé Selassié, dito descendente do rei Salomão com a rainha Sabá, fato que influenciaria muito suas músicas. Em 69, os Wailers se juntam a Lee Perry, um mago do reggae, e juntam-se a nomes como Aston "Family Man" Barret (baixista) e Carlton Barret (bateria). Com essa nova formação, os Wailers, chamam atenção de Chris Blackwell, branco e rico, que funda o selo Island e resolve investir no reggae. Chris consegue dar ao grupo um tratamento igual ao dado às bandas de rock da época, e sob tais condiçães o álbum "Catch a Fire" é lançado, 1973 Em 73, mesmo, os Wailers lançam outro disco: Burni', onde gravaram "I Shot The Sheriff", junto com Eric Clapton. Com esses dois discos, Bob ganhou uma mansão de Blackwell na área nobre de Kingston. Após esse fato, Peter Tosh saiu da banda para tentar uma carreira solo e Bunny foi pelo mesmo caminho, por que tinha medo de viagens de avião. A banda, então, mudou o nome, passou a se chamar Bob Marley & The Wailers, e as vagas deixadas por Peter e Bunny passaram a ser preenchidas pelas I-Threes, grupo vocal formado por Rita Marley (esposa de Bob), Marcia Griffiths e Judy Mowatt. O primeiro álbum da nova era foi "Natty Dread", que tinha hits como "No Woman No Cry" e "Lively Up Yourself". Já consagrados internacionalmente Em 75, o grupo fez um show histórico na Inglaterra (Lyceum, Londres), de onde saiu o disco "Live!", lançado em no mesmo ano. O ano de 76 foi conturbado: lutas políticas na Jamaica e o assassinato de Hailé Selassié por seus próprios soldados (que resultou na música "Jah Live"). No meio de tantas pedradas, Marley lançou o álbum "Rastaman Vibration". Com esses lançamentos constantes de novos álbuns podia-se verificar a facilidade com que Marley compunha suas músicas. "War", influenciado pela situação que se passava foi o destaque do disco. Nesse mesmo ano, Bob sofreu um atentado a tiros em sua casa. Levou um tiro no braço, enquanto Rita levou um de raspão na cabeça e Blackwell, vários tiros. O atentado assusta Bob, que se mudou para Londres. Lá, Bob apadrinhou o movimento reggae local e viu surgimento de grupos como Steel Pulse e Aswad, lançou também dois álbuns, "Exodus" (1977) e "Kaya" (1978). A turnê européia serviu de combustîvel para o ao vivo "Babylon By Bus", em 1979. Ainda na Europa, Bob machucou o pé numa partida de futebol - o mesmo que já havia ferido seriamente dois anos antes. O machucado virou uma infecção feia e os médicos sugeriram a amputação do dedo. Por motivos religiosos, o cantor negou a ação médica. A infecção progridiu para um câncer e tomou posse de Bob. No livro "Catch A Fire", a mais completa biografia sobre o cantor, o jornalista Timothy White afirma que a doença "corroeu Bob por dentro como as formigas atacando um ackee (fruta tîpica da Jamaica)". Em 1978, saiu o disco "Survival", inspirado na viagem de Marley à África. A música "Zimbabwe" tornou-se símbolo das manifestações políticas daquele país. Bob e os Wailers são convidados para tocar no show de independência do país. Antes disso, Bob visita o Brasil, onde jogou bola com Chico Buarque. Em 1980, Bob ainda lançou o disco "Uprising", que inclui a mais bonita e melodiosa música de Bob Marley: Redemption Song. Talvez, por acaso, a última que Bob compôs. Ela fala da retirada cruel dos escravos da África, e é um estîmulo para que os africanos não se deixem dominar pelos povos da Babilônia (europeus). Ainda em 1980, Bob desmaia durante um show no Central Park, NY. O câncer se alastra por pulmões, fígado e cérebro. Ele se interna na clínica do Josef Issels, na Áustria, para um tratamento com bases naturistas, sem resultados positivos. De volta à Miami e sem os dreadlocks - perdidos em inúmeras seções de quimioterapia -, o "Honorável" Robert Nesta Marley (título que ganhou do governo jamaicano no dia de seu enterro, por sua contribuição, dentre outras, a cultura loca) morre no dia 11 de maio de 1981. Aos 36 anos. Bob é cremado ao lado de um pote de ganja, sua inseparável Gibson Les Paul e uma Bíblia aberta. Suas cinzas repousam em St. Ann, lugar onde o cantor nasceu. Muitas pessoas só conhecem Bob Marley e conseqüentemente o repudiam por causa do seu amor à marijuana. Talvez não saibam que a erva era sagrada não só para ele, mas como para todos os rastafaris. A erva é para eles como a bebida, o álcool é para nós, e assim como nos repudiamos a erva, eles repudiam o álcool. Mas talvez poucos conheçam o lado lutador de Bob. Pode-se comprovar em suas letras que Bob considerava a África seu lar espiritual e ficava inconformado com o domínio europeu que sempre pairou sobre a mesma. Bob foi um homem bom, generoso. Ajudava os pobres, não ligava para o dinheiro que ganhava. Bob Marley foi mais do que um simples cantor. Bob foi o primeiro artista vindo do Terceiro Mundo a conseguir um prestígio internacional considerável, numa época que o "iêiêiê" dos Beatles era ouvido cansativamente por todos. Bob foi um idealista, um autodidata, que mesmo sem ter estudado, impressionou o mundo com sua inteligência. Bob é uma lenda, e como todo texto sobre ele tem de terminar assim desse jeito, a lenda continua (The Legend Lives On)...

publicado por nunune às 13:48
link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

BIOgrafia de BOB MARLEY

 

Bob Marley
O ano de 1945 foi um grande ano. Foi em 45 que, depois de nove anos de uma guerra que matou milhões de pessoas em todo o mundo, finalmente a paz voltou a reinar na Terra. Em todos os cantos do planeta as pessoas se abraçaram e puderam comemorar o final do mais triste episódio da história da humanidade. Milhares de filhos voltaram para suas casas, famílias se reencontraram e a construção de um novo tempo começou. Entretanto, em 1945 houve outro grande acontecimento, que só alguns moradores da pequena vila de Nine Mile, interior rural da Freguesia de St. Ann (Santa Ana), no norte da Jamaica , comemoraram. Foi no dia 6 de fevereiro desse ano que nasceu o menino Robert Nesta Marley, filho de Cedella Booker, uma garota negra de apenas dezoito anos, e do Capitão Norval Marley, do Regimento Britânico das Índias Ocidentais, um inglês branco de 50 anos de idade que, devido a pressões de sua família na Inglaterra, apesar de ajudar financeiramente pouco conheceu o filho. Mas para entender melhor a história desse menino é preciso voltar um pouco mais no tempo. Apesar da escravidão ter sido abolida na Jamaica em 1834, aqueles dias de sofrimento ainda estão na memória dos descendentes de africanos e, misturados com os costumes ingleses, fazem parte da cultura da ilha. Já no começo do século passado a herança africana começava a ter expressão política com Marcus Garvey, um pastor jamaicano que fundou a Associação Universal para o Desenvolvimento do Negro. A organização defendia a criação de um país negro, livre da dominação branca, em África, que recebesse de volta todos os descendentes de africanos exilados na América. Foi inclusivé com esse intuito que Garvey chegou a fundar uma companhia de navegação a vapor, a Black Star Line. Mas Marcus Garvey é lembrado na Jamaica também por outro motivo. O pastor, nas suas pregações, costumava repetir uma profecia que logo se espalhou entre a população negra. Ele dizia que em África surgiria um Rei negro, o 225º descendente da linhagem de Menelik, o filho do rei Salomão e da rainha de Sabá, que libertaria a raça negra do domínio branco. Anos depois esse rei apareceu. Em 1930 Ras Tafari Makonnen foi coroado Imperador da Etiópia e passou a se chamar Hailè Selassiè. No mesmo momento, os seguidores de Garvey na Jamaica passaram a acreditar que a profecia tivesse sido cumprida e começaram uma nova religião chamada Rastafari. Anos mais tarde, essa religião seria espalhada pelo mundo através da música de um menino chamado Bob Marley.
Por volta da década de 50, a capital Kingston era a terra dos sonhos dos habitantes das zonas rurais da Jamaica. Apesar da cidade não ter oferecer muito trabalho, multidões dirigiam-se para lá para fatalmente engrossarem a população das favelas que já cresciam no lado oeste. A maior e mais miserável dessas favelas era Trench Town (Cidade do Esgoto), assim chamada por ter sido construída sobre as valas que drenavam os dejetos da parte antiga de Kingston, foi para lá que Dona Cedella se mudou junto com seu filho no final dos anos 50. O menino cresceu nesse ambiente junto com outros meninos de rua e, em especial, seu amigo Neville O’Riley Livingston, mais conhecido como Bunny, com quem começou a tocar latas e guitarras improvisadas em casa. O som que os dois garotos faziam era influênciado pelas emissoras do sul dos Estados Unidos que conseguiam captar nos seus rádios e que tocavam músicas de artistas como Ray Charles, Curtis Mayfield, Brook Benton e Fats Domino, além de grupos como The Drifters que tinham muita popularidade na Jamaica. Nessa época, Bob conseguiu um emprego numa funilaria, mas já tinha a música como grande objectivo de sua vida. A busca desse objectivo ganhou dedicação exclusiva quando uma fagulha da solda com que trabalhava queimou-lhe o olho. O acidente não teve gravidade mas contribuiu para largar o emprego e investir unicamente no aperfeiçoamento da sua música com Bunny. Eles eram ajudados por Joe Higgs, um cantor que apesar de já possuir uma certa fama na ilha ainda morava em Trench Town e dava aulas de canto para iniciantes. Numa dessas aulas Bob e Bunny conheceram outro jovem músico chamado Peter McIntosh. Em 1962 Bob Marley foi escutado por um empresário musical chamado Leslie Kong que, impressionado, o levou a um estúdio para gravar algumas músicas. A primeira delas “Judge Not” logo foi lançada pelo selo Beverley’s. No ano seguinte Bob decidiu que o melhor caminho para alcançar o sucesso era em um grupo, chamando para isso Bunny e Peter para formar os "Wailing Wailers". O novo grupo ganhou a simpatia do percussionista rastafari Alvin Patterson, que os apresentou ao produtor Clement Dodd. Na metade de 1963 Dodd ouviu os Wailing Wailers e resolveu investir no grupo. O ritmo da moda na Jamaica então era o Ska que, com uma batida marcada e dançante, misturava elementos africanos com o rhythm & blues de New Orleans e que tinha Clement “Sir Coxsone” Dodd como um dos seus mais famosos divulgadores. Os Wailing Wailers lançaram o seu primeiro single, “Simmer Down”, atarvés da Downbeat de   Coxsone no fim de 1963 e em janeiro a música já era a mais tocada na Jamaica, permanecendo nessa posição durante dois meses. O grupo então era formado por Bob, Bunny, Peter, Junior Braithwaite e dois backing vocals, Beverly Kelso e Cherry Smith.
Nessa época chegou pelo correio a passagem que Dona Cedella, que tinha casado novamente e mudado para Delaware nos Estados Unidos, conseguiu comprar após muito esforço para juntar dinheiro. Ela desejava dar a Bob uma nova vida na América, mas antes da viagem ele conheceu Rita Anderson e em 10 de fevereiro de 1966 casaram-se. Marley passou apenas oito meses com a mãe antes de retornar à Jamaica, onde começou um período que teve importância especial no resto de sua vida. Bob chegou em Kingstom em outubro de 66, apenas seis meses depois da visita da Sua Majestade Imperial, o Imperador Hailè Selassiè, da Etiópia, que trouxe nova força ao movimento Rastafari na ilha. O envolvimento de Marley com a crença Rastafari  também estava crescendo e, a partir de 67, sua música começou a refletirse nisso. Os hinos dos Rude Boys deram lugar a uma crescente dedicação às canções espirituais e sociais que se tornaram a pedra fundamental do seu real legado. Bob, então, convidou Peter e Bunny para novamente formarem um grupo, dessa vez chamado “The Wailers”. Rita também começava sua carreira como cantora com um grande sucesso chamado “Pied Piper”, um cover de uma canção pop inglesa. A música jamaicana, entretanto, havia mudado. A frenética batida do Ska deu lugar a um ritmo mais lento e sensual chamado Rock Steady. A nova crença Rastafari dos Wailers os colocou em conflito com Coxsone Dodd e, determinados a controlar seu próprio destino, os fez criar um novo selo, o Wail’N’Soul. Mas, apesar de alguns sucessos, os negócios dos Wailers não melhoraram muito e o selo faliu no fim de 1967. O grupo sobreviveu, entretanto, inicialmente como compositores de uma companhia associada ao cantor americano Johnny Nash que, na década seguinte, teria um grande sucesso com “Stir It Up”, de Bob.
Os Wailers então conheceram um homem que revolucionaria o seu trabalho: Lee Perry, cujo gênio produtivo havia transformado as técnicas de gravação em estúdio em arte. A associação Perry / Wailers resultou em algumas das melhores gravações da banda. Músicas como “Soul Rebel”, “Duppy Conqueror”, “400 Years” e “Small Axe” são clássicos e concerteza definiram a futura direcção do reggae. Em 1970, Aston 'Family Man' Barrett e seu irmão Carlton (baixo e bateria, respectivamente) uniram-se aos Wailers. Eles eram a base da banda de estúdio de Perry e haviam participado em várias gravações do grupo. Os irmãos eram conhecidos como a melhor secção rítmica da Jamaica, status que continuariam pela década seguinte. Os Wailers eram então reconhecidos como grande sucesso na Caraíbas, mas internacionalmente continuavam desconhecidos.
No verão de 1971 Bob aceitou o convite de Johnny Nash para acompanhá-lo à Suécia, ocasião em que assinou contrato com a CBS, que era também a editora do americano. Na primavera de 72 todos os Wailers já estavam na Inglaterra, promovendo o single “Reggae on Broadway”, mas sem alcançar bom resultado. Como última tentativa Bob entrou nos estúdios da Island Records, que havia sido a primeira a dar atenção ao crescimento da música jamaicana, e pediu para falar com o seu fundador, Chris Blackwell. Blackwell conhecia a fama dos Wailers e o grupo estava fazendo uma proposta irrecusável. Eles estavam adiantando 4 mil libras para gravar um álbum e para que, pela primeira vez, uma banda de reggae tivesse acesso as mais avançadas técnicas de gravação e fosse tratada como eram as bandas de rock da época. Antes dessa proposta as editoras achavam que um grupo de reggae só vendia em singles ou compilações com várias bandas. O primeiro álbum dos Wailers, "Catch A Fire" quebrou todas as regras: era lindamente embalado e fortemente promovido. Era o começo de um longo caminho à fama e ao reconhecimento internacional. Embora  "Catch A Fire" não tenha sido um hit instantâneo, o álbum teve um grande impacto na imprensa. O ritmo marcante de Marley, aliado às suas letras militantes vinham com total contraste ao que estava sendo feito então. Os Wailers chegaram em Londres em abril de 73, embarcando numa série de apresentações que mostraria sua qualidade como banda de shows ao vivo. Entretanto, após três meses, o grupo voltou à Jamaica e Bunny, descontente com a vida na estrada, recusou-se a tocar na turnê americana. No seu lugar entrou Joe Higgs, o velho professor de canto dos Wailers. A turnê americana incluía, além de algumas casas de show, a participação em alguns shows de Bruce Springsteen e Sly & The Family Stone, a principal banda de música negra americana do momento. Mas depois de quatro shows ficou claro que colocar os Wailers abrindo espetáculos poderia ser pouco aconselhável para as atracções principais. A banda foi então para San Francisco, onde a rádio KSAN transmitiu uma apresentação ao vivo que só foi publicada em 1991, quando a Island lançou o álbum comemorativo "Talkin' Blues". Em 73 o grupo também lançou o seu segundo álbum pela Island, "Burnin", um LP que incluía novas versões de algumas das suas mais velhas músicas, como: “Duppy Conqueror”, “Small Axe” e “Put It On”, junto com faixas como “Get Up, Stand Up” e “I Shot The Sheriff” (que no ano seguinte se tornaria um enorme sucesso mundial na voz de Eric Clapton, alcançando o primeiro lugar na lista dos singles mais vendidos nos Estados Unidos). Em 74 Marley passou uma grande parte do seu tempo no estúdio trabalhando nas sessões que resultaram em “Natty Dread”, um álbum que incluía músicas como “Talkin’ Blues”, “No Woman No Cry”, “So Jah Seh”, “Revolution”, “Them Belly Full (But We Hungry)” e “Rebel Music (3 o’clock Roadblock)”. No início do próximo ano, entretanto, Bunny e Peter deixariam definitivamente o grupo para embarcar em carreiras solo enquanto a banda começava a ser conhecida por Bob Marley & The Wailers. “Natty Dread” foi lançado em Fevereiro de 75 e logo a banda estava novamente na estrada. A composição harmônica perdida com a saída de Bunny e Peter havia sido substituída pelas I-Threes, um trio feminino composto pela esposa de Bob, Rita, além de Marcia Griffiths e Judy Mowatt. Entre os concertos, os mais importantes foram as duas apresentações no Lyceum Ballroom de Londres que até hoje são lembradas entre as melhores da década. Os shows foram gravados e logo o disco, junto com o single “No Woman, No Cry”, estava nas paradas de sucesso. Em Novembro, quando Marley voltou a Jamaica para tocar num show beneficiente com Stevie Wonder ele já era obviamente a maior estrela da ilha. “Rastaman Vibrations”, o álbum seguinte, lançado em 76, atingiu o topo das paradas americanas e é considerado por muitos a mais clara exposição da música e das crenças de Bob. O LP incluía músicas como “Crazy Baldhead”, “Johnny Was”, “Who The Cap Fit” e, talvez a mais significativa de todas, “War”, cuja letra foi extraída de um discurso do Imperador Hailè Selassiè, nas Nações Unidas.
Com o sucesso internacional cresceu a importância política de Bob Marley na Jamaica, onde a fé Rastafari expressa pela sua música alcançava forte ressonância na juventude dos ghetos. Como forma de agradecimento ao povo da ilha, Bob decidiu dar um concerto aberto no Parque dos Heróis Nacionais de Kingston, em 5 de dezembro de 1976. A idéia era enfatizar a necessidade de paz nas ruas da cidade, onde as brigas de gangues estavam a causar confusão e mortes. Logo depois do anúncio do show, o governo convocou eleições para o dia 20 de dezembro. Isso deu nova força à guerra no gheto e, na tarde do concerto atiradores invadiram a casa de Bob e alvejaram-no. Na confusão os atiradores apenas feriram Marley, que foi levado a salvo às montanhas na cercania da cidade. Entretanto ele resolveu fazer o show de qualquer maneira e subiu ao palco para uma rápida apresentação em desafio aos seus agressores. Foi a última apresentação de Bob na Jamaica por oito meses. Logo após o show ele deixou o país para viver em Londres, onde gravou o seu próximo álbum, “Exodus”.
Lançado no verão daquele ano, “Exodus” consolidou o status internacional da banda, ficando nas paradas da Inglaterra por 56 semanas seguidas e tendo seus três singles - “Waiting In Vain”, “Exodus” e “Jammin’” - com grandes vendagens. Em 78 a banda capitalizou novo sucesso com “Kaya”, que alcançou o quarto lugar na Inglaterra logo na semana seguinte do lançamento. O álbum mostrava uma nova vertente de Marley, com uma colecção de canções de amor e, claro, homenagens ao poder da "Ganja". Do álbum foram extraídos dois singles: “Satisfy My Soul” e “Is This Love”. Ainda em 78 aconteceriam mais três eventos com extraordinária importância para Marley. Em Abril voltou à Jamaica para o “One Love Peace Concert”, quando fez com que o Primeiro-Ministro Michael Manley e o líder da oposição Edward Seaga dessem as mãos em palco, foi então convidado para ir à sede das Nações Unidas, em Nova York, para receber a Medalha da Paz. E, no fim do ano, Bob visitou a África pela primeira vez, indo inicialmente ao Kenya e depois à Etiópia, o lar espiritual Rastafari. A banda havia recém terminado uma turnê pela Europa e América que rendeu o segundo álbum ao vivo: “Babylon By Bus”. “Survival”, o nono álbum de Bob Marley pela Island foi lançado no verão de 1979. Ele incluía “Zimbabwe”, um hino para a Rodésia, que logo seria libertada, junto com “So Much Trouble In The World”, “Ambush In The Night” e “Africa Unite”. Como indica a capa, que contém as bandeiras das nações independentes, “Survival” foi um álbum em homenagem à solidariedade Pan-Africana. Em abril de 1980, o grupo foi convidado oficialmente pelo governo do recém libertado Zimbabwe para tocar na cerimônia de independência da nova nação. Essa foi a maior honra oferecida à banda e demonstrou claramente a sua importância no Terceiro Mundo. O próximo disco da banda, “Uprising”, foi lançado em maio de 80 e teve sucesso imediato com “Could You Be Loved”. O álbum também trazia “Coming In From The Cold”, “Work” e a extraordinária faixa de encerramento, “Redemption Song”. Os Wailers então embarcaram na sua maior turnê européia, quebrando recordes de público pelo continente. A agenda incluía um show para 100 mil pessoas em Milão, o maior da história da banda. Bob Marley & The Wailers eram a maior banda na estrada naquele ano e “Uprising” estava em todas as paradas da Europa. Era um período de máximo optimismo e estavam a ser feitos planos para uma turnê na América na companhia de Stevie Wonder no final do ano.
No fim da turnê européia Marley e a banda foram para os Estados Unidos. Bob fez dois shows no Madison Square Garden, mas logo após caiu sériamente doente. Três anos antes, em Londres, tinha ferido o dedo do pé a jogar futebol. O ferimento  tornou-se canceroso e, apesar de ter sido tratado em Miami, continuou a progredir. Em 1980, o câncer, na sua forma mais virulenta, começou a espalhar-se pelo corpo de Bob. Ele controlou a doença por oito meses, fazendo tratamento na clínica do Dr. Joseph Issels, na Bavária. O tratamento de Issels era controverso por usar apenas remédios naturais e não tóxicos e, por algum tempo, pareceu estabilizar a condição de Bob. Entretanto, repentinamente a luta começou a ficar mais difícil. No começo de maio ele deixou a Alemanha para voltar à Jamaica, mas não completou a viagem.
Bob Marley morreu num hospital de Miami na segunda-feira, 11 de maio de 1981. No mês anterior, Marley havia sido agraciado com a Ordem do Mérito da Jamaica, a terceira maior honra da nação, em reconhecimento à sua inestimável contribuição à cultura do país. Na quinta-feira, 21 de Maio de 1981, o Honorável Robert Nesta Marley O. M. recebeu um funeral oficial do povo da Jamaica. Após o funeral - assistido tanto pelo Primeiro-Ministro como pelo líder da oposição - o corpo de Marley foi levado à sua terra natal, Nine Mile, no norte da ilha, onde agora descansa em um mausoléu. Bob Marley morreu aos 36 anos, mas a sua lenda permanece viva até hoje.
Créditos á Reggae Enciclopédia.
Paulo Matos 99
PS: A Island Records / Universal irá relançar nos próximos dois anos, os dezoito álbuns de Bob Marley & The Wailers. A particularidade reside no facto de todos os discos reeditados surgirem em duplo compacto, com as versões remasterizadas das master tapes originais gravadas pelo grupo.
Em Abril foi editado o primeiro registo, chama-se "Catch A Fire Deluxe Edition", e pode desde já ouvir esta essêncial edição.
Clique para ouvir....
   1973 / 2001

 


publicado por nunune às 13:41
link do post | comentar | favorito

Amilcar Cabral

 

AMÍLCAR CABRAL

 

Libertador,1924-1973
Carlos Pinto Santos
 

Amílcar Cabral

NINGUÉM MAIS PODE ESTRAGAR O PAIGC. SÓ NÓS PRÓPRIOS...

QUANDO TUDO ACONTECEU...
 
 
1924, 12 de Setembro:
Nasce em Bafatá, Guiné - 1932: Vai para Cabo Verde - 1943: Completa no Mindelo o curso liceal - 1944: Emprega-se na Imprensa Nacional, na Praia - 1945: Com uma bolsa de estudo, ingressa no I. S. Agronomia, em Lisboa - 1950: Termina o curso e trabalha na Estação Agronómica de Santarém - 1952: Regressa a Bissau, contratado para os S. Agrícolas e Florestais da Guiné - 1955: O governador impõe a sua saída da colónia; vai trabalhar para Angola; liga-se ao MPLA - 1956: Criação em Bissau do PAIGC - 1960: O Partido abre uma delegação em Conacri; a China apoia a formação de quadros do PAIGC - 1961: Marrocos abre as portas aos membros do Partido - 1963, 23 de Janeiro: Início da luta armada, ataque ao aquartelamento de Tite, no sul da Guiné; em Julho o PAIGC abre a frente norte - 1970, 1 de Julho: O papa Paulo VI concede audiência a Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos; 22 de Novembro: O governador da Guiné-Bissau decide e Alpoim Calvão chefia a operação de "comando" "Mar Verde" destinada a capturar ou a eliminar os dirigentes do PAIGC sediados em Conacri: fracasso! - 1973, 20 de Janeiro: Amílcar Cabral é assassinado em Conacri.
NOITE DE FACAS LONGAS EM CONACRI
 
 Amílcar Cabral é assassinado em Conacri. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
 
 
O cenário:
Noutros pontos da cidade, onde se alojam os cerca de meio milhar de combatentes do PAIGC, grupos pertencentes à revolta aprisionam os restantes dirigentes sediados em Conacri: Aristides Pereira, Vasco Cabral, José Araújo, entre outros. São todos transportados para uma vedeta que zarpa para Bissau. Seku Turé recebe no palácio presidencial, a 21 de Janeiro, os cabecilhas da rebelião. Tudo leva a crer que apoia os assassinos de Cabral. Mas, surpresa: o Presidente da Guiné-Conacri não dá cobertura. Manda prender os conspiradores, ordena ao Exército que detenha todos os elementos do PAIGC, intercepta, em pleno mar, o barco que leva os prisioneiros para Bissau. Uma comissão internacional, indigitada por Séku Turé, elabora um inquérito sobre os acontecimentos. A pouco e pouco, os antigos dirigentes do PAIGC são libertados. O Conselho Superior de Luta do Partido decide ir mais longe na investigação.
A partir daí, uma teia de denúncias, traições e intrigas vai acelerar as conclusões. Cerca de uma centena de membros do Partido são indiciados, julgados, fuzilados. Entre eles, está a maioria dos culpados, mas estão, também, muitos inocentes. Era inevitável que assim acontecesse. A morte de Amílcar Cabral, o chefe quase incontestado, desencadeia ódios e paixões e, nesse ambiente, difícil seria que a justiça fosse completamente isenta. Para mais, num clima de guerra contra o colonialismo português que ninguém quer abrandar.
De facto, o Exército Português nada lucra com o assassínio. A guerrilha intensifica a acção. Em Março de 1973, dispõe dos mísseis terra-ar "Stella" que retiram a supremacia aérea às forças portuguesas. Em Maio, Spínola, governador da Guiné, avisa o ministro Silva Cunha: "Aproximamo-nos, cada vez mais, da contingência do colapso militar". A 24 de Setembro, nas matas de Madina do Boé, o PAIGC declara, unilateralmente, a independência da Guiné-Bissau. 
 
uma casa branca, isolada, de um só piso, um largo terreiro à volta, uma enorme mangueira em frente da casa, um telheiro que serve de garagem; em Conacri, capital da República da Guiné, de que é Presidente Séku Turé. O tempo: três da madrugada do dia 20 de Janeiro de 1973. A acção: um carro, um Volkswagen, que o condutor arruma no telheiro. Dois faróis projectam a luz para os ocupantes do veículo que são Amílcar Cabral e a sua segunda mulher, Ana Maria. Uma voz ríspida vem da noite e ordena que amarrem Amílcar. Este resiste. Não deixa que o atem. O comandante do assalto dispara. Atinge-o no fígado. Amílcar, sentado no chão, propõe que conversem. A resposta é uma rajada de metralhadora que acerta na cabeça do fundador do PAIGC. A morte é imediata. Os autores do atentado: Inocêncio Kani, que dispara primeiro, um veterano da guerrilha, ex-comandante da Marinha do PAIGC; membros do Partido, todos guineenses.
LARBAC, POETA E CONTISTA
 
 
 
 Amílcar escreve poemas de amor. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta aTábua Cronológica.
 
 
Juvenal Cabral, à luz difusa de um candeeiro, escreve na sua casa em Cabo Verde um memorando a Vieira Machado, ministro das Colónias de Salazar.
Está-se em Dezembro de 1941 e o ministro visita a Praia. O documento chegará às mãos do membro do Governo de Lisboa. Que, muito provavelmente, não o leu. Que lhe importa as opiniões de um obscuro professor primário cabo-verdiano?
No entanto, o documento é significativo. Preocupado com a seca e a fome no seu arquipélago, Juvenal propõe ao ministro algumas políticas a seguir para minorar os males: pesquisa e captação de águas, arborização intensiva, protecção à agricultura, supressão do imposto sobre as terras, criação de um crédito agrícola, protecção ao pequeno funcionário.
Seu filho, Amílcar, tem 17 anos e frequenta o liceu no Mindelo. Não se sente ainda com capacidade para auxiliar o pai na cruzada em favor de Cabo Verde. Mas já conhece todos os problemas que afectam a sua terra, porque o pai, desde cedo, o consciencializa.
Todavia, Amílcar é, nessa altura, Larbac. Assim assina os poemas de amor que escreve: Quando Cupido acerta no alvo, Devaneios, Arte de Minerva, entre outros. Os temas denotam influências clássicas. Os poetas que conhece do liceu são os inspiradores: Gonçalves Crespo, Guerra Junqueiro, Casimiro de Abreu, por exemplo. O lirismo de Amílcar (Larbac é anagrama de Cabral) não se evidencia pela originalidade. Revela, porém, a sua sensibilidade amorosa. Esse romantismo passa para a sua prosa de adolescente, os contos, notas e comentários onde se vislumbra já um seguro conhecimento e um desejo de participação no universo insular em que vive. Um pouco mais tarde, em Lisboa, essas preocupações irão agudizar-se.
 
GUERRA, SECAS E FOME
 
Amílcar Cabral proferindo o seu discurso na Universidade de Roma, em Junho de 1970, por ocasião do seu doctoramento "honoris causa"
 
"Ele nasceu com a política na cabeça. Era filho de político. Juvenal falava-lhe de todas as coisas". São palavras, em 1976, um ano antes da sua morte, de Dona Iva Pinhel Évora, mãe de Amílcar, mulher de Juvenal Lopes Cabral.
 , editado pelo autor, em 1947, é um curioso livro do pai de Amílcar em que rememora a sua vida, debate os problemas da época e dos meios em que viveu, anota factos e episódios que clarificam a História e esclarecem as origens sociais do futuro líder do PAIGC.
Memórias e Reflexões
Juvenal nasce em Cabo Verde em 1889. Um dos avós é grande proprietário rural. Mas a fortuna desaparece depressa, perante as catástrofes naturais das ilhas. O outro avô, o paterno, homem culto, também com algumas posses, dá ao neto o nome de Juvenal, em homenagem ao poeta latino. O rapaz não conhece o pai, morto tragicamente quando tem dois meses. A criança é entregue aos cuidados do avô e, mais tarde, da madrinha, Simoa Borges, que lhe irá financiar os estudos. Primeiro, em Portugal, no Seminário de Viseu. Estava destinado à vida eclesiástica. Mas uma grande seca no princípio do século torna impossível a manutenção de Juvenal na metrópole. Volta ao arquipélago. Em 1906, está a frequentar o seminário de S. Nicolau. Aos dezoito anos, abandona os estudos e embarca para a Guiné à procura de emprego. É funcionário em Bolama, depois professor sem diploma.
Vive em Bafatá quando, a 12 de Setembro de 1924, nasce Amílcar Cabral. Que, na certidão de nascimento, surge com o nome de Hamílcar, homenagem prestada pelo pai ao célebre cartaginês Hamílcar Barca.
Mas, em 1932, morre a madrinha Simoa que lhe deixa algumas propriedades rurais em Cabo Verde. Juvenal, Iva e Amílcar regressam às ilhas. É aí que a família vive o período difícil da Segunda Guerra Mundial. Salazar sobe os custos de vida, as mercadorias rareiam. Em 1940, uma calamitosa seca provoca a fome. Morrem mais de 20 mil cabo-verdianos. E, entre 1942 e 1948, nova crise vai fazer 30 mil vítimas.
Entretanto, nas ilhas, há um forte contingente militar de tropas portuguesas, o que cria inúmeros conflitos com a população e acentua o racismo e o colonialismo. Para além da fome e da seca não há, praticamente, serviços de assistência pública. A emigração para S. Tomé e Angola e, posteriormente, para a América despovoa as ilhas.
Nunca se calou Juvenal. Em 1940, dirige ao governador um memorando em que, baseado em dados históricos, prediz uma grande seca para os anos seguintes (o que se confirmou). Surgirá, depois, o documento enviado ao ministro das Colónias. (Este terrível período de calamidades em Cabo Verde é magistralmente descrito no romance de Manuel Ferreira, Hora di Bai).
Neste contexto, Amílcar Cabral passa a infância e a adolescência. Se o pai lhe aponta um exemplo de consciência e actuação, dentro das limitações legais que o fascismo de Salazar permite, a mãe, Iva Évora, é, para o jovem, o exemplo da ternura, da protecção e do trabalho. Presa todo o dia à máquina de costura, Iva vai contribuindo para que a família vença, da melhor maneira, as crises por que passam. E, mais tarde, sem largar a costura, empregar-se-á numa fábrica de conserva de peixe. A mãe e a sua capacidade de sacrifício há-de servir a Amílcar de testemunho de luta aos jovens combatentes do PAIGC.
Aos 20 anos, Amílcar tem absoluta consciência das degradantes condições de vida do povo cabo-verdiano. Imbui-o um idealismo político, a certeza dos amanhãs que cantam, a inevitável transformação do mundo, a nova ordem emergente do caos pós-guerra.
Aluno brilhante, 17 valores numa escala de 18, Amílcar conclui o curso liceal. Vai para a Praia onde se emprega como aspirante na Imprensa Nacional, enquanto aguarda a concessão de uma bolsa para prosseguir os estudos. Finalmente, em 1945, embarca para Lisboa.
A escolha da sua formação universitária, em que terá, também, havido cumplicidade do pai, é óbvia: será engenheiro agrónomo.
 
ANTI-COLONIALISTA EM LISBOA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Em Cabo Verde as autoridades proíbem o programa de rádio de Amílcar Cabral. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Amílcar propõe a reafricanização dos espíritos. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
Amílcar chega a Portugal. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a
Tábua Cronológica.Amílcar Cabral estuda em Lisboa e pensa no regresso a África. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a  Tábua Cronológica.
 
Amílcar Cabral chega a Portugal em 1945. É o ano da grande esperança para os democratas portugueses, depressa desfeita quando Salazar garante a condescendência dos vencedores da Segunda Guerra Mundial e mantém, inalterável e apoiado, o regime de ditadura.
A primeira mulher de Amílcar, Maria Helena de Athayde Vilhena Rodrigues, foi sua colega no Instituto de Agronomia. Narrou assim a Mário de Andrade o conhecimento do futuro marido, de quem viria a ter duas filhas, Iva Maria e Ana Luísa:
"Conheci Amílcar no primeiro ano de Agronomia, em 1945. As aulas tinham começado em Novembro, ele chegou em Dezembro (...) Eu não pertencia ao seu grupo, mas lembro-me perfeitamente de o ver entre os outros colegas. Como ele era o único negro, notava-se bem... Amílcar não fizera o exame de admissão à Universidade (...) toda a gente falava dele, elogiava a sua inteligência e ele, para mais, era simpático e descontraído. No que respeita às suas actividades políticas, lembro-me que os meus camaradas recolhiam assinaturas de adesão aos movimentos democráticos. E Amílcar participava activamente nesses comités de estudantes antifascistas. Aquando das assembleias era ele quem dirigia as discussões porque se exprimia muito bem (...) No princípio do terceiro ano, em Outubro de 1948, pertencemos à mesma turma, a dos únicos vinte e cinco estudantes que tinham passado nos exames".
Condiscípulos e amigos recordam Amílcar como um indivíduo de dinamismo contagiante, grande sentido de humor, com enorme capacidade de criar amizades. Sedutor, atrai afectos femininos com facilidade.
"Era o mais bem vestido e aprumado de todos nós", lembra seu amigo, o jornalista Carlos Veiga Pereira.
"O meu irmão conseguia fazer amizades em todo lado", diz Luís Cabral. "Foi pela simpatia de Amílcar — revelou em entrevista ao "Diário Popular" o primeiro presidente da República da Guiné-Bissau — que os soviéticos nos forneceram os mísseis com que controlámos a aviação portuguesa. O magnata italiano Perelli era seu amigo e deu-nos as fardas de oficiais que usávamos. Tudo por amizade e simpatia".
O estudo, a militância, os namoros, ainda lhe deixam tempo para se dedicar ao seu desporto preferido: o futebol.
E, segundo as crónicas, caso o tivesse querido poderia ter feito carreira. De tal maneira dá nas vistas na equipa de Agronomia que o Benfica chega a convidá-lo para ingressar no clube. Mas Amílcar declina a proposta e mantém-se apenas nos "pelados" universitários.
Durante os anos de estudo um irresistível apelo o toma, bem como a outros estudantes negros: era necessário o regresso a África. Não só pela família que ama profundamente, mas porque "milhões de indivíduos têm necessidade da minha contribuição na luta difícil que travam contra a natureza e os próprios homens (...) Lá, em África, apesar das cidades modernas e belas da costa, há ainda milhares de seres humanos que vivem nas mais profundas trevas". Em 1949, escreverá: "Vivo intensamente a vida e dela extraí experiências que me deram uma direcção, uma via que devo seguir, sejam quais forem as perdas pessoais que isso me ocasione. Eis a razão de ser da minha vida".
Esta vida a que se refere, partilha-a, em Lisboa, no Instituto de Agronomia, na Casa dos Estudantes do Império e nos livros que lhe abrem os horizontes de compreensão do mundo do seu tempo. Entre esses livros um será determinante: a Anthologie de la nouvelle poésie négre et malgache, organizada por Léopold Sédar Senghor. Este livro traz-lhe a certeza que "o negro está a despertar em todo o mundo". Teoriza sobre o cabo-verdiano — o homem resultante da fusão dos primeiros habitantes do arquipélago, brancos e negros. Já então reconhece que o número de mestiços é seis vezes superior ao dos brancos e três vezes ao dos negros — do ponto de vista psíquico há um "espírito cabo-verdiano", existe a cabo-verdianidade. Esta profissão de fé tem de ser harmonizada com a militância. No quinto ano do curso, Amílcar volta ao arquipélago para passar as férias grandes. A sua especialidade técnica - a erosão dos solos - e a cultura geral de que dispõe, quer transmiti-las e ensiná-las aos cabo-verdianos. Na Praia, pronuncia, através do Rádio Clube de Cabo Verde, várias palestras sobre as características do solo das ilhas. Apesar das dificuldades, reconhece que a agricultura é a base da economia de Cabo Verde. Para tal, é necessário elucidar, esclarecer, consciencializar o homem da rua. Amílcar coloca o problema da elite na sociedade. É preciso criar uma vanguarda intelectual que leve ao cabo-verdiano anónimo toda a informação sobre os seus problemas tradicionais. Como dirá: "Os quadros devem esclarecer aqueles que vivem na ignorância".
Esta informação deve ultrapassar os limites de Cabo Verde e tornar-se uma informação global que se alargue a todo o mundo. Eis a sua tarefa de militante: consciencializar os cabo-verdianos.
Mas as autoridades portuguesas rapidamente lhe proíbem o acesso à rádio. Como lhe proíbem que ministre um curso nocturno na Escola Central da Praia.
"Dar a conhecer Cabo Verde aos cabo-verdianos" corresponde ao que acontece em Angola: "Partamos à descoberta de Angola" é a divisa de um grupo de jovens intelectuais em torno do poeta Viriato da Cruz.
De novo em Lisboa, Amílcar firma os laços que o unem a outros estudantes originários das colónias portuguesas. Trata-se de um grupo de jovens, provenientes da pequena burguesia urbana africana, todos conscientes da revolta contra o colonialismo e detentores da vantagem de possuírem instrução e cultura. Militam nas organizações da juventude democrática portuguesa, o MUD Juvenil, o Movimento para a Paz. Com uma bandeira que os diversifica dos europeus: a reafricanização dos espíritos, diz Amílcar Cabral. Esta reprocura da identidade leva à criação, em casa da família Espírito Santo (de que é figura proeminente a santomense Alda Espírito Santo), de um Centro de Estudos Africanos. Ali se discutem, apesar das incursões da PIDE, algumas das questões mais prementes da África sob a domínio português. Amílcar tem nesses debates uma participação decisiva.
 
 
O PAIGC E O INÍCIO DA LUTA ARMADA
Amílcar Cabral vai para Bissau como engenheiro agrónomo. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Amílcar Cabral com Nino Vieira e o jornalista Oleg Ygnatiev na frente sul, em 1968
 
 
 
 Amílcar Cabral funda o PAIGC e inicia a luta armada contra o Estado Português. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
 
 
 
 
 
 
Após terminar o curso, em 1950, faz estágio na Estação Agronómica de Santarém. Pouco depois, falece Juvenal Cabral. Em 1952, Amílcar regressa a África, a Bissau, contratado pelos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné Portuguesa.
Aos 28 anos desembarca em Bissau um engenheiro agrónomo que tem em mira outros fins que não só os da sua profissão (onde, aliás, será sempre de grande competência). O principal desses fins: consciencializar as massas populares guineenses. Como escreverá na comunicação aos quadros, em plena luta de libertação, em 1969: "Não foi por acaso que viemos para a Guiné. Nenhuma necessidade material determinava o nosso regresso ao país natal. Tudo foi calculado, passo a passo. Tínhamos enormes possibilidades de trabalhar nas outras colónias portuguesas e mesmo em Portugal. Abandonámos um bom lugar de investigador na Estação Agronómica para virmos para um lugar de engenheiro de segunda classe na Guiné (...) Isto obedeceu a um cálculo, a um objectivo, à ideia de fazer qualquer coisa, de contribuir para o levantamento do povo, para lutar contra os portugueses. É isso que temos feito desde o primeiro dia em que chegámos à Guiné".
O "Engenheiro", como lhe chamarão os compatriotas, está na melhor das posições para levar a cabo a tarefa de consciencialização. No posto agrícola de Pessubé, que dirige, contacta com os trabalhadores rurais entre os quais cabo-verdianos. É difícil a unidade entre estes e os guineenses para a constituição de uma luta comum. Será difícil até ao fim, apesar de alguns cabo-verdianos (Aristides Pereira, Fernando Fortes, Abílio Duarte, entre outros) se unirem à sua volta. O trabalho político segue a par da actividade profissional. Encarregado da planificação e execução do recenseamento agrícola da Guiné, o relatório que elabora continua a ser hoje o primeiro dado valorizável para o conhecimento da agricultura guineense.
A princípio, Amílcar Cabral procura agir na legalidade. Redige os estatutos de um Clube desportivo e cultural ao qual podem aderir todos os guineenses. As autoridades portuguesas não o autorizarão a funcionar porque a maioria dos signatários não possui bilhete de identidade.
Em 1955, o governador Melo e Alvim obriga Cabral a deixar a Guiné, embora lhe permita voltar uma vez por ano, por razões familiares.
1955 é o ano da Conferência de Bandung que assinala o nascimento do Movimento dos Não-Alinhados, do final da primeira guerra de independência do Vietname, da passagem à luta armada da FNL argelina. E Amílcar Cabral transferido para Angola, trabalha em Cassequel, como engenheiro... e tomando contacto activo com os fundadores do MPLA, ao qual se liga, desde início.
Numa das suas passagens por Bissau, a 19 de Setembro de 1959, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Elisée Turpin criam o Partido Africano da Independência/União dos Povos da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Obviamente, um partido clandestino, que só deixará de o ser quatro anos mais tarde, quando instalar a sua delegação exterior em Conacri.
Nesse período, a actividade de Amílcar Cabral é esgotante. Continuando os seus estudos fitossanitários e agrológicos, viaja frequentemente entre Portugal, Angola e Guiné.
Em Novembro de 1957 participa em Paris numa reunião para o desenvolvimento da luta contra o colonialismo português, mantém contactos com os anti-colonialistas em Lisboa, está em Accra num encontro pan-africano e vai a caminho de Luanda quando ocorre o massacre de Pidjiguiti. Em Janeiro de 1960 vai à II Conferência dos povos africanos, em Tunis, em Maio está em Conacri. Ainda neste ano, em Londres, denuncia numa conferência internacional, pela primeira vez, o colonialismo português. Mas aí, como durante todos os anos de luta, sublinha com ênfase não estar contra o povo português. O seu combate é, em exclusivo, contra o sistema colonial.
Hoje, as investigações históricas e os depoimentos de muitos intervenientes da época mostram que líder do PAIGC sempre se disponibilizou para negociações com o Governo português, nunca aceites pelo regime da ditadura.
Entre 1960 e 1962, o PAIGC actua a partir da República da Guiné. Essa actuação desenvolve-se em três aspectos: formar militantes e quadros para a difusão do Partido no interior da Guiné, garantir o apoio dos países limítrofes (o que foi tarefa complicada porque a República da Guiné pretendia a utilização dos guineenses de Amílcar Cabral na sua própria política e porque o Senegal se manifestou hostil durante seis anos) e, finalmente, a obtenção do apoio internacional.
É a República Popular da China quem dá o primeiro passo, recebendo, em 1960, Amílcar Cabral e alguns quadros que ali ficarão preparando a guerrilha e a formação ideológica. Em 1961 o Reino de Marrocos concede-lhe idêntico apoio.
Em 1962, desencadeia-se a luta armada contra o Estado Português. Tinham passado 17 anos desde que o filho de Juvenal Cabral chegara a Lisboa para frequentar a Universidade.
 
UMA TEIA DE INTERESSES
 
 Séku Turé instiga ao assassínio de Amílcar. E, entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
 
Em reportagem publicada no Expresso, a 16 de Janeiro de 1993, José Pedro Castanheira fornece uma série de dados sobre a morte de Amílcar Cabral, que, três anos depois aprofunda no livro "Quem Mandou Matar Amílcar Cabral?".
É possível crer em vários factos. A política colonial portuguesa, dividindo para reinar, criara uma diferenciação entre cabo-verdianos e guineenses. Os primeiros, mestiços na sua grande maioria e mais escolarizados, são os preferidos da administração do Estado Novo. Desempenham os cargos menos desqualificados, usufruem de um tratamento preferencial. Quando se constitui o PAIGC, os quadros dirigentes são cabo-verdianos, os combatentes são guineenses. O próprio Amílcar Cabral, embora nascido na Guiné, é considerado cabo-verdiano. As tensões, os conflitos no interior do PAIGC existiram sempre. Em 1973, a guerra de libertação nacional encaminha-se para a vitória. Os dirigentes políticos continuam a ser cabo-verdianos. É provável que a proximidade do êxito extremasse a confrontação no Partido.
Séku Turé que, desde 1958, fora um líder africano de grande prestígio está em perda de influência. Por seu turno, Amílcar Cabral é uma personalidade que se evidencia na cena africana e internacional, reunindo apoios que vão da China e dos regimes comunistas, aos países nórdicos. O grande sonho de Turé de anexar a Guiné-Bissau para criar a "Grande Guiné" está em perigo. É bem provável que tivesses dado sinais de concordância aos revoltosos - todos guineenses - para consumarem o crime. Cabral sairia de cena, o PAIGC desmembrar-se-ia, passando, na prática, para o controlo de Turé. (Em Maio de 1974, Leopold Senghor, Presidente do Senegal, não hesita em afirmar ao coronel Carlos Fabião e ao embaixador Nunes Barata ter sido Séku Turé o instigador do assassínio de Amílcar Cabral).
Por fim, a PIDE/DGS. Desde muito, pelo menos desde 1967, a organização policial portuguesa procurava matar Cabral. Alguns guerrilheiros prisioneiros foram manobrados para colaborarem com a polícia política. Ficou provado em relação a alguns dos intervenientes no atentado. Tudo leva a crer que, em medida desconhecida, a PIDE não foi alheia a toda a trama.
Testemunhos da época revelam também que Amílcar Cabral tinha consciência que poderia ser traído pelos companheiros de luta. Afirmara algumas vezes: "se alguém me há-de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC. Só nós próprios".
 
AS VÁRIAS MORTES DE AMÍLCAR CABRAL
Guerrilheiros do PIGC escutam a transmissão em directo, através da Rádio Conacri, do funeral de Amílcar Cabral
 
Amílcar Cabral foi sepultado no cemitério de Conacri. Desaparece de cena o mais esclarecido dirigente africano da sua geração, o principal teórico da luta armada africana de libertação.
O homem que sempre viveu em coerência com os seus ideais, o líder do movimento guerrilheiro que almejava uma comunidade fraterna que floresceria — em várias ocasiões o escreveu e disse — quando os dois povos levados à guerra se libertassem do opressor comum, seria morto mais vezes.
Vítima de um ajuste de contas que não merecia, Amílcar Cabral teve a segunda morte no golpe de Estado de Nino Vieira de 14 de Novembro de 1980 que arrasou o seu grande sonho de fazer da Guiné e de Cabo Verde um único país, ou, pelo menos, uma união de Estados capaz de se impor aos desígnios hegemónicos dos governos de Dacar e Conacri, e desmembrou o PAIGC por ele fundado.
Morreu com a ostentação, a corrupção e a sanha sanguinária na resolução dos diferendos políticos onde se deixaram atolar muitos dos dirigentes guineenses.
Morreu com a miséria, a doença e a fome que dizima o seu povo vinte anos depois da independência admiravelmente conquistada nas matas
de Madina do Boé.

Morreu agora outra vez quando velhos camaradas de armas — os seus antigos camaradas — se digladiaram numa luta fratricida infligindo à Guiné-Bissau uma destruição terrivelmente superior à provocada por onze anos de guerra colonial vendendo, provavelmente, a soberania nacional numa patética tentativa de conservar a bebedeira do poder.

 

ILHA
- um poema de Amílcar Cabral - Praia, Cabo Verde, 1945 -
               
                nua e esquecida,
                seca,
                fustigada pelos ventos,
                ao som de músicas sem música
                das águas que nos prendem…  
 
                Ilha:  
                teus montes e teus vales  
                não sentiram passar os tempos  
                e ficaram no mundo dos teus sonhos  
                —    os sonhos dos teus filhos   —  
                a clamar aos ventos que passam,  
                e às aves que voam, livres,  
                as tuas ânsias!  
 
                 Ilha:  
                colina sem fim de terra vermelha  
                —    terra dura   —  
                rochas escarpadas tapando os horizontes,  
                mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!
Tu vives — mãe adormecida —  

publicado por nunune às 13:29
link do post | comentar | favorito

Amigos de CHE Guevara

 

Amigos
Harry Villegas (Pombo) 
Pombo era o nome de guerra e foi escolhido por Guevara . Foi o único que esteve com ele em todos os fronts, de Sierra Maestra à Bolívia. Um belo dia Fidel Castro chamou a ele e Carlos Coelho (Tumas) e disse que eles iriam encontrar Che na floresta congolesa. - "Ele nos disse que nossa missão principal era a segurança de Che ". Fidel deu a eles, como presente, dois relógios Rolex. A chegada na África foi decepcionante. Os 120 cubanos do grupo guerrilheiro estavam a pique do desespero . As forças congolesas não podiam ser mais desorganizadas.- "Che nos dava aulas de paciência. Ele insistia em lembrar que os hábitos e a cultura eram muito diferentes dos nossos. Ele nos pedia esforços para tentar compreendê-los." Depois do fracasso no Congo, Pombo e Tuma foram a Praga, encontrar Che, que viajava na clandestinidade . Meses depois outra vez reunidos na Bolívia, onde Tumas acabaria sendo morto. Antes de morrer, Tuma entregou a Guevara o Rolex que havia ganho de Fidel e pediu a ele que entregasse a seu filho que nascera em quanto ele estava longe de Cuba . Quando Che foi assassinado na vila de L Higuera, um dos dois relógios capturados com ele era de Tuma . Pombo, com Tamayo e Benigno (que posteriormente exilou-se em Paris) , é um dos três sobreviventes da guerrilha na Bolívia. Foi também um dos poucos soldados profissionais a merecer a Ordem de Heróis da República de Cuba . Ele esteve em missões em Angola, Moçambique e Nicarágua. Tem 56 anos e ocupa o posto de Brigadeiro - General. Enrique Oltusky Era chamado "O Pequeno Polaco". Estudou arquitetura em Mimai e se graduou em 1954. No seu primeiro encontro com Che, manteve uma séria discussão sobre a questão "a revolução deve ficar escondida ou não". Che defendeu ardorosamente a posição de que devia se fazer a maior publicidade possível sobre o que se passava em Cuba. Em 1959, vencia essa questão, foi escolhido ministro das Comunicações do novo governo. Oltusky acabaria acompanhando Che nas suas várias funções administrativas e foi , durante 20 anos , representante oficial da indústria de pesca cubana. Ele trouxe essa experiência gerencial dos tempos em que era executivo da empresa Shell, pouco antes de decidir pela clandestinidade. Rogerio Acevedo Aos 56 anos, o Major General Rogelio Acevedo tem uma carreira militar extensa e bem - sucedida, tendo sido inclusive ministro de Armas e Tecnologia. Começou sob o comando de Che no verão de 1957, no vale de El Hombrito, no coração de Sierra Maestra.Rogelio tinha 16 anos e caiu para a clandestinidade junto com o irmão mais moço, Enrique. Ele considera o exemplo de Che vital na sua existência e na sua carreira. "Ele poderia ter conseguido a vitória e voltar para a Argentina, mas não, ele preferiu continuar trabalhando brutalmente, noite e dia, dormindo quatro ou cinco horas, para tentar organizar esta revolução de uma maneira dedicada e desinteressada". Há sete anos, Rogélio foi colocado de maior autoridade da aviação civil em Cuba. "Eu não entendia nada de aviões, mas essa era uma tarefa e eu tinha que assumi-la, exatamente como o ´Argentino´ me ensinou ". Jorge Serguera Rivieri Mais conhecido como "Papito Serguera" era advogado e doutor em filosofia e artes quando se juntou a guerrilha. Durante a campanha foi uma parceria assídua para Che nos jogos de xadrez. Depois da vitória costumava visitar Che no ministério e manteve o hábito: "Costumávamos jogar entre oito e dez partidas ". Em 1963 foi indicado embaixador na Argélia. De lá ajudou a preparar os focos de guerrilha para Guevara no Congo e na Bolívia. Papito esteve com Che na sua segunda viagem à África, em fins de 1964 e começo de 1965. " Ele era humanista e um filósofo da História, com uma excepcional disposição para a ação". Serguera ocupou vários postos, desde diretor da Rádio e TV de Cuba até responsável por uma fábrica de lâmpadas. José Manuel Manresa Nunca chamou Guevara pelo nome. Era sempre "o comandante". Servia na fortaleza de La Cabaña, quando Guevara instalou-se lá, durante a marcha para Havana. Esteve com ele no Instituto de Reforma Agrária, depois no Banco Nacional de Cuba e no Ministério de Indústria. Se lembra que Che só permitia que os funcionários se alimentassem com a comida da cantina e fazia escândalo enorme caso flagrasse alguém se alimentando com "bugigangas" compradas na rua. "Era extremamente rigoroso com ele mesmo". Com a morte de Che, foi trabalhar no Ministério de Comércio Exterior. Hoje está aposentado, com 70 anos. Leonardo Tamoyo Núnez (Urbano) Ele chegou a Sierra Maestra com 15 anos. No primeiro dia que viu Che, o Comandante perguntou: "O que você está fazendo aqui?" "O mesmo que você", respondeu Tamayo.Esteve praticamente ao lado de Che durante 10 anos e sete meses . Aos 55 anos, Tamoyo ainda é um homem enérgico. É coronel e carrega no cinto a pistola russa CTDKNH 509, presente de Fidel. Foi um dos que escaparam atravessando o Andes: "Caminhamos 6 meses ". Segundo conta , ao ser capturado, Guevara carregava US$ 20 mil. "Era o financiamento da revolução. Os militares bolivianos nunca declararam esse dinheiro". Hoje Tamayo trabalha com Ramiro Valdés. José Ramon Silva Serviu durante toda a campanha contra Batista nas colunas 4 e depois na 8, ambas com Che. Foi ferido três vezes. "Um dia, durante um combate, um camarada tentou lhe oferecer uma lata extra de leite. Ele estava muito mal porque estava com um de seus habituais ataques de asma. Ele recusou, e só tomou uma colher". Silva esteve ao lado de Che na invasão da Baía de Porcos. Aposentou-se como coronel. Manuel Pineiro Losada (Barbaroja) Quando encontrou Che em Sierra Maestra já tinha seu "boletim" uma série de atos de sabotagem em sua cidade natal e em Havana. Mais tarde, em 1961, criou, com Ramiro Valdés, os primeiros núcleos de segurança que dariam origem ao Ministério do Interior. Ainda naquele ano colaborou com Che na escolha e preparação de focos de guerrilha na Argentina, Congo e Bolívia. "Che sempre sonhou com a revolução na Argentina, Bolívia e Congo seriam apenas degraus preparatórios", diz Piñeiro. Ele conta com um surpreendeu Che no se gabinete se equilibrando sobre uma linha imaginária: "Esta é a fronteira da Argentina e eu tenho que atravessá-la antes de ficar muito velho". Piñeiro conta que a excessiva audácia de Che era uma das suas preocupações constantes. Ele teve, por ordem de Fidel, a missão de acompanhar e monitorar Che na Bolívia: "Era minha principal função naquela época Nós informávamos Fidel quase diariamente sobre o que estava acontecendo na Bolívia, sempre que as condições de comunicação permitiam". Piñeiro diz que freqüentemente sonha com Che no seus últimos momentos. Ele está com 64 anos, e é casado com a escritora chilena Marta Harneker. Salvador Vilaseca Forné .Ele tinha 50 anos e Guevara 31. Era professor de matemática e deu aulas para Che. Uma vez, viajando juntos pela Europa, Guevara pediu-lhe para comprar alguns livros em sebos. Vilesca perdeu um vôo marcado para Madri para atender o pedido. Depois de alguns dias, Che foi indicado presidente do Banco Nacional de Cuba. Che ligou, convidando-o a trabalhar com ele como diretor. eu", respondeu Che. "Eu não entendo nada de bancos", objetou Vilaseca. "Nem Vilaseca passou enato a dar aulas de matemáticas para Che, duas vezes por semana, às terças, das 8 às 9, e aos sábados, das 8 até o horário em que Che se cansava. Às vezes as aulas chegavam até a noite. Primeiro ensinou-lhe matemática elementar, depois álgebra, geometria analítica, cálculo diferencial, cálculo integral e equações. Em 1964, Vilaseca disse-lhe: "Não tenho mais nada a ensinar a você".juntos Enato, por sugestão de Che, eles passaram a estudar matemática avançada até Che partir para a guerrilha no Congo. Vilaseca está com 88 anos. Aposentou-se como reitor da Escola Diplomática está escrevendo um livro: " O Che que eu conheci".Joel Iglesias Foi um dos mais jovens capitães de Che. Ele foi para a clandestinidade em maio de 1957, mas Fidel não aceitou sua inscrição. Serviu na tropa de Che. "Eu não sabia ler ou escrever e Che me disse que eu só poderia usar as insígnias depois que eu aprendesse. Quando eu aprendi ele me deu uma biografia de Lennin e disse que iria me fazer perguntas sobre o livro". Iglesias é hoje, aos 55 anos, coronel reformado. Ramiro Valdés Ramiro tinha 23 anos quando participou do ataque do quartel de Moncada, em 1956, e passou dois anos preso, junto com Fidel e outros sobreviventes daquela ação. Foi duas vezes ministro do Interior, a última entre 1979 e 1984 e atualmente comanda o grupo de informática e eletrônica, um consórcio compreendendo 10 mil funcionários, uma divisão do Ministério da Indústria. Segundo Ramiro , aprender com Guevara a ter respeito pelos outros e auto-respeito. Enrique Acevedo Enrique Acedo estava com hepatite, em casa, quando foi informado de que dois jornalistas estrangeiros tinham procurado por ele para falar sobre o Che. O Brigadeiro Enrique Acevedo não hesitou. Minutos depois ele aparecia no Hotel Nacional de Havana usando jeans e camiseta T-Shirt. Trazia com ele o livro publicado há três anos, com suas lembranças do tempo em que serviu na guerrilha sob as ordens de Che. "O Descamisado" , uma homenagem ao Argentino. Enrique subiu a Sierra Maestra aos 14 anos com seu irmão Rogelio, que tinha 16 na época. Ele tinha 17 quando Che soube que ele comprara dinamite de um revendedor norte americano. Como "punição", Guevara mandou-o para um curso universitário. Anos depois, Orlando Borrego, na época ministro da Indústria Açucareira, convenceu Fidel Castro a mandar Enrique juntar-se à força guerrilheira de Che, na Bolívia. "Quando soube, Enrique deu pulos de alegria", lembra Borrego. A viagem acabou não se realizando. Guevara morreu antes. Victor Bordón Foi pessoalmente o responsável pelo Movimento 26 de Julho na Sierra de Escambrey, onde Guevara chegou em outubro de 1958, comandando a coluna de 146 homens . Depois de uma invasão de mais de 550 quilômetros, que tomara 47 dias de lutas, Bordón, que já tinha o titulo de "comandante", encontrou Che e colocou sob seu comando suas tropas, com mais de 300 homens. "Ele imediatamente me rebaixou, chamando-me de capitão". Mais tarde, depois de um duro combate, Che congratulou-se com ele. "Belo serviço, comandante". Ao que Bordón retrucou: "Capitão, não comandante". Guevara confirmou Bordón como Comandante e Bordón pediu-lhe que, sendo assim, aproveitasse a primeira reunião da tropa para comunicar essa decisão. "Um homem pode ser rebaixado em público e promovido em silêncio", respondeu Che. Desde 1983, Bordón esta no comando da Comental, um consórcio de empresas com 840 trabalhadores. Aleida March Foi a última mulher de Che e mãe de quatro dos seus cinco filhos. Aleida conheceu Che quando tinha 24 anos e era ativista clandestina do movimento 26 de julho na província de Las Villas. "Meu relacionamento com ele era apenas o de companheiros da mesma causa" lembra ela . Depois da vitória da revolução ela casou-se com Che. "Eram tempos duros. Ele chegava em casa todas as noites às três, às vezes às quatro, ou mesmo as seis da manha. Não podia - mos ter o luxo de pensar numa casa para nós . Estávamos construindo uma nova sociedade!" - Aleida fala sem reprovações ou críticas. Quando Che partiu para o Congo e depois para a Bolívia, eles continuaram a se corresponder sempre que possível. Antes de partir Guevara deixou-lhes varias cartas, uma para Fidel, outra para seus pais , e uma outra para os filhos do casal .Para Aleida , deixou uma fita gravada de 60 minutos com seus poemas preferidos de Pablo Neruda, César Vallejo, Nicolás Guilen e outros. "Nosso plano era encontrarmo - nos novamente na Bolívia, e depois, quando envelhecêssemos, iríamos lembrar de passagens da nossa própria história" Trinta anos se passaram , Aleida está com 66 anos. Ela agora é encarregada do Arquivo Pessoal de Che em Havana. Todos os filhos fizeram carreiras universitárias. - Aleida é especializada em alergia, como o pai; Célia é veterinária ; Camilo e Ernesto são advogados. Juan Alberto Castellanos Elo perdido de Guevara com a Argentina. Em 1963 infiltrou-se na Argentina com Jorge Masseti para estabelecer um foco, que seria mais tarde operado por Guevara . Castellanos foi treinado e começou uma odisséia: Roma, Dakar, Rio, São Paulo, Santa Cruz de La Sierra, cochabamba, La Paz, de novo Cochabamba e de lá até a fronteira. Durante um combate, Masseti desapareceu. Um outro assistente pessoal de Che, Hermes, foi assassinado, e Castellanos detido em 4 de março de 1964. Ele passou vários anos numa prisão argentina, onde soube da morte de seu chefe Guevara. De volta a Cuba ele se reintegrou ao Exército cubano, tomou parte na guerra de Angola e, mais tarde, juntou-se à guerrilha sandinista na Nicarágua. Hoje, é coronel reformado. Oscar Fernandes Mell Formou-se em medicina em 1956 e um ano depois caiu na clandestinidade, indo lutar na coluna do Che. Foi ele quem cuidou do braço ferido do Comandante que entrou na capital, Havana, com uma tipóia em 1959. Foi um dos mais íntimos amigos, sendo médico da sua família. Esteve com o Che na guerrilha do Congo. Hoje está com 65 anos, tendo sido embaixador na Grã-Bretanha e na Finlândia. 


Enrique Oltusky 

Era chamado "O Pequeno Polaco". Estudou arquitetura em Mimai e se graduou em 1954. No seu primeiro encontro com Che, manteve uma séria discussão sobre a questão "a revolução deve ficar escondida ou não". Che defendeu ardorosamente a posição de que devia se fazer a maior publicidade possível sobre o que se passava em Cuba. Em 1959, vencia essa questão, foi escolhido ministro das Comunicações do novo governo. 

Oltusky acabaria acompanhando Che nas suas várias funções administrativas e foi , durante 20 anos , representante oficial da indústria de pesca cubana. Ele trouxe essa experiência gerencial dos tempos em que era executivo da empresa Shell, pouco antes de decidir pela clandestinidade. 


Rogerio Acevedo 

Aos 56 anos, o Major General Rogelio Acevedo tem uma carreira militar extensa e bem - sucedida, tendo sido inclusive ministro de Armas e Tecnologia. Começou sob o comando de Che no verão de 1957, no vale de El Hombrito, no coração de Sierra Maestra.Rogelio tinha 16 anos e caiu para a clandestinidade junto com o irmão mais moço, Enrique. Ele considera o exemplo de Che vital na sua existência e na sua carreira. "Ele poderia ter conseguido a vitória e voltar para a Argentina, mas não, ele preferiu continuar trabalhando brutalmente, noite e dia, dormindo quatro ou cinco horas, para tentar organizar esta revolução de uma maneira dedicada e desinteressada". 

Há sete anos, Rogélio foi colocado de maior autoridade da aviação civil em Cuba. "Eu não entendia nada de aviões, mas essa era uma tarefa e eu tinha que assumi-la, exatamente como o ´Argentino´ me ensinou ". 


Jorge Serguera Rivieri 

Mais conhecido como "Papito Serguera" era advogado e doutor em filosofia e artes quando se juntou a guerrilha. Durante a campanha foi uma parceria assídua para Che nos jogos de xadrez. Depois da vitória costumava visitar Che no ministério e manteve o hábito: "Costumávamos jogar entre oito e dez partidas ". 

Em 1963 foi indicado embaixador na Argélia. De lá ajudou a preparar os focos de guerrilha para Guevara no Congo e na Bolívia. Papito esteve com Che na sua segunda viagem à África, em fins de 1964 e começo de 1965. " Ele era humanista e um filósofo da História, com uma excepcional disposição para a ação". Serguera ocupou vários postos, desde diretor da Rádio e TV de Cuba até responsável por uma fábrica de lâmpadas. 


José Manuel Manresa 

Nunca chamou Guevara pelo nome. Era sempre "o comandante". Servia na fortaleza de La Cabaña, quando Guevara instalou-se lá, durante a marcha para Havana. 

Esteve com ele no Instituto de Reforma Agrária, depois no Banco Nacional de Cuba e no Ministério de Indústria. Se lembra que Che só permitia que os funcionários se alimentassem com a comida da cantina e fazia escândalo enorme caso flagrasse alguém se alimentando com "bugigangas" compradas na rua. "Era extremamente rigoroso com ele mesmo". Com a morte de Che, foi trabalhar no Ministério de Comércio Exterior. 

Hoje está aposentado, com 70 anos. 


Leonardo Tamoyo Núnez (Urbano) 

Ele chegou a Sierra Maestra com 15 anos. No primeiro dia que viu Che, o Comandante perguntou: "O que você está fazendo aqui?" "O mesmo que você", respondeu Tamayo.Esteve praticamente ao lado de Che durante 10 anos e sete meses . Aos 55 anos, Tamoyo ainda é um homem enérgico. É coronel e carrega no cinto a pistola russa CTDKNH 509, presente de Fidel. Foi um dos que escaparam atravessando o Andes: "Caminhamos 6 meses ". 

Segundo conta , ao ser capturado, Guevara carregava US$ 20 mil. "Era o financiamento da revolução. Os militares bolivianos nunca declararam esse dinheiro". Hoje Tamayo trabalha com Ramiro Valdés. 


Salvador Vilaseca Forné 

Ele tinha 50 anos e Guevara 31. Era professor de matemática e deu aulas para Che. Uma vez, viajando juntos pela Europa, Guevara pediu-lhe para comprar alguns livros em sebos. Vilesca perdeu um vôo marcado para Madri para atender o pedido. Depois de alguns dias, Che foi indicado presidente do Banco Nacional de Cuba. Che ligou, convidando-o a trabalhar com ele como diretor. "Eu não entendo nada de bancos", objetou Vilaseca. "Nem eu", respondeu Che. Vilaseca passou enato a dar aulas de matemáticas para Che, duas vezes por semana, às terças, das 8 às 9, e aos sábados, das 8 até o horário em que Che se cansava. Às vezes as aulas chegavam até a noite. Primeiro ensinou-lhe matemática elementar, depois álgebra, geometria analítica, cálculo diferencial, cálculo integral e equações. Em 1964, Vilaseca disse-lhe: "Não tenho mais nada a ensinar a você". Enato, por sugestão de Che, eles passaram a estudar juntos matemática avançada até Che partir para a guerrilha no Congo. 

Vilaseca está com 88 anos. Aposentou-se como reitor da Escola Diplomática está escrevendo um livro: " O Che que eu conheci". 


Enrique Acevedo 

Enrique Acedo estava com hepatite, em casa, quando foi informado de que dois jornalistas estrangeiros tinham procurado por ele para falar sobre o Che. O Brigadeiro Enrique Acevedo não hesitou. Minutos depois ele aparecia no Hotel Nacional de Havana usando jeans e camiseta T-Shirt. Trazia com ele o livro publicado há três anos, com suas lembranças do tempo em que serviu na guerrilha sob as ordens de Che. "O Descamisado" , uma homenagem ao Argentino. 

Enrique subiu a Sierra Maestra aos 14 anos com seu irmão Rogelio, que tinha 16 na época. Ele tinha 17 quando Che soube que ele comprara dinamite de um revendedor norte americano. Como "punição", Guevara mandou-o para um curso universitário. 

Anos depois, Orlando Borrego, na época ministro da Indústria Açucareira, convenceu Fidel Castro a mandar Enrique juntar-se à força guerrilheira de Che, na Bolívia. "Quando soube, Enrique deu pulos de alegria", lembra Borrego. A viagem acabou não se realizando. Guevara morreu antes. 


Victor Bordón 

Foi pessoalmente o responsável pelo Movimento 26 de Julho na Sierra de Escambrey, onde Guevara chegou em outubro de 1958, comandando a coluna de 146 homens . 

Depois de uma invasão de mais de 550 quilômetros, que tomara 47 dias de lutas, Bordón, que já tinha o titulo de "comandante", encontrou Che e colocou sob seu comando suas tropas, com mais de 300 homens. "Ele imediatamente me rebaixou, chamando-me de capitão". Mais tarde, depois de um duro combate, Che congratulou-se com ele. "Belo serviço, comandante". Ao que Bordón retrucou: "Capitão, não comandante". Guevara confirmou Bordón como Comandante e Bordón pediu-lhe que, sendo assim, aproveitasse a primeira reunião da tropa para comunicar essa decisão. "Um homem pode ser rebaixado em público e promovido em silêncio", respondeu Che. 

Desde 1983, Bordón esta no comando da Comental

um consórcio de empresas com 840 trabalhadores. 


Aleida March 

Foi a última mulher de Che e mãe de quatro dos seus cinco filhos. Aleida conheceu Che quando tinha 24 anos e era ativista clandestina do movimento 26 de julho na província de Las Villas. "Meu relacionamento com ele era apenas o de companheiros da mesma causa" lembra ela . 

Depois da vitória da revolução ela casou-se com Che. "Eram tempos duros. Ele chegava em casa todas as noites às três, às vezes às quatro, ou mesmo as seis da manha. Não podia - mos ter o luxo de pensar numa casa para nós . Estávamos construindo uma nova sociedade!" - Aleida fala sem reprovações ou críticas. 

Quando Che partiu para o Congo e depois para a Bolívia, eles continuaram a se corresponder sempre que possível. Antes de partir Guevara deixou-lhes varias cartas, uma para Fidel, outra para seus pais , e uma outra para os filhos do casal .Para Aleida , deixou uma fita gravada de 60 minutos com seus poemas preferidos de Pablo Neruda, César Vallejo, Nicolás Guilen e outros. "Nosso plano era encontrarmo - nos novamente na Bolívia, e depois, quando envelhecêssemos, iríamos lembrar de passagens da nossa própria história" 

Trinta anos se passaram , Aleida está com 66 anos. Ela agora é encarregada do Arquivo Pessoal de Che em Havana. Todos os filhos fizeram carreiras universitárias. - Aleida é especializada em alergia, como o pai; Célia é veterinária ; Camilo e Ernesto são advogados. 

 


publicado por nunune às 13:27
link do post | comentar | favorito

Historia de Che guevara

 

História

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina, primeiro dos cinco filhos de Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa, família de origem aristocrática, donos de terras. A mãe descendia do último vice-rei do Peru e casou com Ernesto (pai), estudante de arquitetura, em 1927. Embora de família tradicional que aos poucos foi perdendo a sua riqueza, Che passou sua infância como menino típico de família de classe média, nunca se preocupando muito com a política. Celia teria papel importante na formação de Che, só inferior ao de Fidel Castro, conforme o biógrafos. Mesmo de educação católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda, sempre cercada de mulheres politizadas. Ela é que cuidaria da educação do primogênito, o pai era muito amigo dos filhos, mas era mais distante e gostava da vida boêmia. Passaria para o filho porém, o gosto pelo esportes. 
Che nasceu de oito meses, débil, aos quarenta dias de vida teve pneumonia e antes dos dois anos já sofria a primeira crise de asma. 
A família mudava muito de cidade, em busca de um clima melhor para o garoto, até parar em Alta García, na região serrana de Córdoba, onde ele vai crescer. Ficava muito em casa, até de cama, por causa da asma, e assim começou a gostar de literatura: Julio Verne, Baudelaire, Antonio Machado, Cervantes, García Lorca, Pablo Neruda e outros clássicos passam a fazer parte de seu universos, embora esse último tenha o influenciado muito a política e a filosofia.
Era bom aluno, estudando em escola pública, freqüentada por meninos da cidade e da roça, remediados e pobres, e sempre teve facilidade imensa de relacionamento com os outros, já exercitando sua capacidade de liderança. 
A adolescência será marcada fortemente pela Guerra Civil Espanhola e depois pela segunda Guerra Mundial, quando o pai forma a Ação Argentina , organização antifascista em que increve o filho. 
Em Córdoba começa a jogar rúgbi, tênis, golfe, além de se dedicar à natação. Nessa cidade fica amigo dos irmãos Tomás e Alberto Granado, colegas de colégio com os quais viverá grandes aventuras. No colégio, revela-se bom em literatura e filosofia e medíocre em matemática e química - em música e física, um desastre, conforme seu boletim da 4ª série. Desde então é um grande enxadrista, brilhando nos tabuleiros da Olimpíada Universitária de 1948, Aí já terminara os estudos secundários, em 1946, e a família se mudara para Buenos Aires. Pensava em estudar engenharia, mas a morte da avó, à qual era muito ligado e de quem assiste à morte, leva-o a decidir-se pela medicina. 
Aos dezoito anos alista-se no serviço militar obrigatório, mas é dispensado por causa da asma, sorte para um jovem de família antiperonista ( o exército argentino era então o grande reduto de Perón ). 
Namorador, atrevido e divertido, não pertenceu a nenhuma organização estudantil. Sempre foi relaxado com roupas, camisa fora da calça, sapatos desamarrados e um fascínio por viagens o levaria, em 1949, aos 21 anos, a percorrer, mochila às costas, o norte argentino numa bicicleta motorizada que ele próprio desenhou e construiu. 
Em dezembro do ano seguinte, inscreve-se como enfermeiro da marinha mercante Argentina e viaja em petroleiros e cargueiros para vários países, inclusive o Brasil. 
Em 4 de janeiro de 1952, com 23 anos e a dois anos de sua formatura como médico,  lançou-se com Alberto Granado, o melhor amigo em uma aventura pela América Latina, 10.000 quilômetros, numa Norton 500 que apelidou de "La Poderosa II". Durante oito meses, percorreram cinco países e a aventura marcou sua ruptura com os laços nacionais.Para pagar as despesas de viagem, trabalharam como carregadores, lavadores de prato, marinheiros e médicos, o que já revelava sua coragem, espírito de independência e desprezo pelo perigo. Foi a partir dessa viagem, que começou a se sentir e se expressar como um latino-americano e não apenas como argentino, quando viu o desamparo, a exploração e a miséria como traço característico do nosso continente. Quando voltou, escreveu em seu "Diário de Viagem" (Livro publicado em enches no ano de 1970) "Já não sou mais o mesmo". Talvez a sua viajem pelo continente tivesse mostrado-lhe a pobreza dos seus vizinhos.... 
Vai a Machu-Pcchu, vai navegar o Amazonas de balsa, vai atravessar o deserto de Atacama, conhecerá mineiros comunistas e povos indígenas. Dessa viagem ficará um diário que vai virar grande recesso editorial e pelo qual se nota sua crescente politização e o choque que lhe provocam a pobreza, a injustiça e a arbitrariedade que encontrou pelo caminho. O hábito de escrever diários irá acompanhá-lo até seus últimos dias, na Bolívia. 
Em agosto de 1952 decide regressar a Buenos Aires para terminar o curso de medicina, formando-se pela Universidade Nacional de Buenos Aires em junho de 1953 como especialista em alergia e após fazendo doutorado.
Não deixa passar um mês e já pega a estrada,dessa vez com outro amigo, Calica Ferrer. Foi trabalhar em diversos países, na ânsia de descobrir a cura para a sua terrível doença, a asma, que o atormentava desde pequeno.Está com 25 anos e não voltará mais para a Argentina.
Rumou para a Venezuela, com parada na Bolívia por ficar mais barata a passagem do trem, onde ficara seu amigo Granados, para trabalhar na pesquisa da lepra,  conheceu o advogado argentino Ricardo Rojo (Autor do livro Meu Amigo Che), que estava refugiado naquele país, por sua atividade política antiperonista. Rojo lhe fez um convite decisivo: "Para que queres ir a Venezuela, um país que só serve para ganhar dólares? Vem comigo a Guatemala, porque ali vai ter lugar uma verdadeira Revolução Social" .
Fica cinco semanas em La Paz, estuda os intentos de reforma agrária, e assiste ao país vivendo o primeiro ano do governo reformista de Paz Estensoro, o que valerá a Che um aprofundamento político que os biógrafos consideram de vital importância para seu amadurecimento,  embora venha depois a desencantar-se com os rumos tomados pelo governo dito revolucionário. 
Che desembarcou na Guatemala a 24 de dezembro de 1953, acompanhado de Rojo e do Dr. Eduardo Garcia, também exilado argentino. Na Guatemala, o presidente Jacobo Arbenz Guzmán desenvolvia um governo Revolucionário do qual Che participou através do Instituto Nacional da Reforma Agrária.
Tentou formar um grupo armado para organizar a resistência contra a invasão norte-americana. Passa pela Costa Rica, onde faz contatos políticos e onde sua vida começa a dar guinadas definitivas: conhece em San José dois cubanos exilados que haviam escapado da célebre tentativa de tomada do Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953. Os dois lhe contam a espetacular porém malograda ação de Fidel Castro buscando derrubar a ditadura de Fulgencio Batista a partir do assalto ao quartel da segunda maior cidade cubana, Santiago. 
Fica amigo dos dois -Calixto García e Severino Rossel, e com eles irá para a Guatemala, onde será apresentados a outros cubanos, no final de 1953. Guevara está então com 26 anos, é admirador da URSS e deseja se inscrever a um partido comunista de qualquer país que seja, enquanto trabalha como médico para sindicatos guatemaltecos, reunido ainda mais experiência à sua sólida bagagem ideológica. 
Vai permanecer quase nove meses na Guatemala e conhecer Hilda Gadea marxista convicta, militante política peruana que mais tarde tornará sua primeira mulher. Passa apertos, não consegue exercer a medicina, e tem de vender enciclopédias de porta em porta. O país está passando por grande reforma, conduzida pelo presidente eleito (era o segundo na história) Jacobo Arbenz, que iniciara um amplo programa de reforma agrária expropriando as terras da poderosa empresa norte-americana United Fruit Company. Ao tocar nos interesses da empresa é derrubado do poder por iniciativa de Washington e com o apoio da OEA, em junho de 1954. 
A 18 de junho de 1954, mercenários pagos pelos americanos invadem o país processando um golpe militar que derruba o governo constitucional de Arbenz e instala a ditadura do coronel Castillo Armas, fiel aos interesses exportadores da United Fruit, cujas terras são devolvidas. Segundo alguns autores, esta experiência será decisiva na definição política de Guevara. Ele teria de sair imediatamente da Guatemala, pois tinha sido condenado à morte por ter apoiado o regime anterior.
Che, por sua atuação nos sindicatos, é informado de que corre perigo e se asila na embaixada Argentina. Hilda é presa, mas logo é solta e ambos sairão legalmente do país. 
Tomaram a decisão de ir para o México, com Hilda já grávida, lá se casam em agosto de 1955 e têm uma filha, Hilda Beatriz, Hildita. 
No México, onde vai ganhar o apelido de Che, por usar a expressão sempre que fala com os outros, Guevara compra uma máquina fotográfica e começa a ganhar a vida fotografando turistas nas ruas da capital, Cidade do México. E é até contratado por uma agência noticiosa Argentina para cobrir os Jogos Pan.Americanos de 1955, que se realizam no País. Ao mesmo tempo, escreve artigos científicos sobre sua especialidade, alergia. 
Em junho, é apresentado a Raúl Castro, líder estudantil cubano recém-saído da prisão em Cuba. Poucos dias depois chega o irmão de Raúl, Fidel, em 8 de julho de 1955, que Raúl apresenta a Che. Fidel passaram um ano e dez meses preso na ilha de Pinos, Cuba, pelo episódio do Quartel Moncada. Fora anistiado por Batista, a quem derrubaria, com Che, Três anos depois. Chegava ao México para dali dar início à insurreição contra a ditadura em Cuba, instalada desde o golpe militar de 1952. 
O treinamento para a luta armada em Cuba começa no México e Guevara se inscreve em setembro, dois meses após conhecer Fidel.

Na madrugada do dia 25 de novembro com Fidel Castro e os exilados cubanos do "Movimento 26 de julho" para combater a ditadura de Batista., zarpa do porto mexicano de Tuxplan o iate Granma, com capacidade para vinte passageiros, levando 82 guerrilheiros, entre eles Che Guevara, encarregado de atender os eventuais feridos no desembarque em Cuba. 
Junto com mais 18 homens, organizaram e penetraram em Sierra Maestra,na ilha de Cuba para no ano de 1959, tomar a cidade de Havana e, de uma vez por todas por fim ao imperialismo norte-americano que habitava a pequena ilha.
Desembarcam no dia 2 de dezembro, e três dias depois são cercados e atacados pelos soldados numa emboscada, sobrando apenas 12 homens.
Foi um dos doze sobreviventes que por méritos de guerra foi nomeado comandante. 
Estes conseguem refugiar-se em Sierra Maestra onde tomam contato com os camponeses e a guerrilha se multiplica e ganha prestígio, tanto dentro como fora de Cuba, obtendo inúmeras ações vitoriosas contra as tropas do governo. Em 1957 Che é nomeado comandante da 2ª Coluna ( Ciro Redondo) .  Invadiu Las Villas e, após atravessar toda a ilha, junto com a coluna de Camilo Cienfuegos, em 1 de janeiro de 1959, Guevara toma a cidade de Santa Clara e em 8 de janeiro, Fidel Castro entra triunfalmente em Havana.
As relações entre o governo de Fidel e os EUA tornam-se tensas a partir do momento que este tenta diminuir o domínio norte-americano sobre a economia cubana. Em abril de 1961 a CIA invadiu Cuba com um exército de mercenários e refugiados cubanos. Esta invasão à Baía dos Porcos resulta num fracasso total.
 Os E.U.A estabeleceram um embargo econômico junto á mesma para que se fosse encerrada a Revolução. Mas nada disso aconteceu. Com a ajuda da URSS, Cuba foi se protegendo.
Em 1959 ocupou o cargo de diretor do Instituto Nacional de Reforma Agrária e posteriormente o de presidente da banca nacional, o de responsável pelas finanças do país, chefe do banco central cubano. 
Em 19 de agosto de 1961 de passagem pelo Brasil é condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul pelo então presidente Jânio Quadros que renunciaria uma semana depois.
Che transfere-se para a direção do Ministério das Indústrias(1961-1965). Discursa numa reunião da OEA em Punta del Este e denuncia o imperialismo americano e seu aliados.
 Fidel declara-se socialista e aproxima-se da URSS recebendo dela mísseis nucleares que poderiam atingir os EUA, é a "crise dos mísseis" de 1962, Kennedy ordena o bloqueio de Cuba pela Marinha e ameaça invadi-la. Sem consultar os cubanos, os soviéticos retiram os mísseis. Durante todo este período Che escreve e publica suas principais obras. Em 11 de dezembro de 1964 discursa na ONU onde oferece o apoio de Cuba para as lutas de libertação no Terceiro Mundo.
Mas como ele mesmo dizia, era , para ele , impossível ficar sentado em uma sala fechada, Che representando o governo revolucionário parte para a África onde toma conhecimento dos movimentos de libertação nacional africanos. Realizou varias viagens  por paises afro-asiáticos e socialistas (Checoslovaquia, U.R.S.S., China popular, etc.). Presidiu a delegação cubana na Conferencia de Punta del Este (1961) e no seminário de planificação de Argel (1963). Após uma volta pela África negra onde combateu pelo comunismo, volta a Cuba, e desaparece da vida pública e, poucos meses depois, Castro veio a conhecer sua renuncia a todos os cargos e sua partida da ilha. Após uma estadia no Congo como instrutor das guerrilhas de Sumialot e Mulele (1965-1966), em setembro de 1966 Che chega à Bolívia para estabelecer um centro de treinamento de guerrilha, onde deveria servir de quartel-general tanto para revolucionários bolivianos quanto para aqueles que iriam chefiar revoluções em países vizinhos. A posição boliviana era estratégica pois ocupava geograficamente o centro do continente sul-americano. Uma série de desentendimentos entre o PC boliviano e a guerrilha faz com que o primeiro retire o seu apoio, deixando Guevara e seus homens completamente isolados.
Foi dizimado pelo exercito dirigido e apoiado pelos Rangers norte-americanos. Em 8 de outubro é ferido em combate em "la Quebrada del Yuro" Bolívia.no dia 9 é executado covardemente por oficiais Bolivianos (Patrocinados pelaCIA - Estados Unidos). 
Em 18 de abril de 1967 é publicado em Cuba a mensagem de despedida de Che, após ter se tornado um líder para os cubanos e um dos responsáveis pela vitória da revolução.
Em 29 de junho de 1997, seus restos mortais são encontrados, em uma fossa em Vallegrande junto com mais 6 guerrilheiros.
Ao 12 de julho de 1997 é recebido no aeroporto de "San Antônio de Los Baños" por sua família e companheiros. Os restos de Che descansarão temporariamente na sala Granma do Ministério das Forças Armadas e serão levados em outubro a um mausoléu na Praça Ernesto Che Guevara em Santa Clara.
Suas ações e idéias tiveram um papel fundamental nas lutas do Terceiro Mundo para libertarem-no do jogo do imperialismo e a modificação para tornarem melhores  as estruturas sócio-econômicas vigentes. As idéias e a prática de Guevara abrangem um amplo espectro da vida política contemporânea

publicado por nunune às 13:23
link do post | comentar | favorito

O ultimo combate de che guevara

 

Em novembro de 1966, Che chegou a La Paz, com documentos falsos, com o nome de Adolfo Mena, Enviado Especial da OEA, para realizar um estudo sobre as Relações Econômicas e Sociais vigentes no Campo Boliviano. A credencial foi fornecida pela Direção Nacional de Informações da Presidência da República. Nessa oportunidade, Che se apresentava bastante calvo e sem barba. Seu roteiro de viagem até La Paz incluiu Praga, Frankfurt, São Paulo e Mato Grosso.
O movimento guerrilheiro da Bolívia recebeu ajuda financeira, entre outros, de Cuba, Sartre e Bertrand Russel, que recolheram dinheiro nos meios intelectuais. Após onze meses de luta e uma série de peripécies, as guerrilhas foram dizimadas pelos "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim.
Che foi ferido na tarde do dia 7 de outubro de 1967, à 13:30, aproximadamente. Atingido em várias partes do corpo, orientou seus captores na colocação de torniquetes para estancar as hemorragias. Em seguida, foi levado para Higueras, lugarejo a 12 km do estreito do Rio Yuro, onde aconteceu sua última batalha. Deixaram-no abandonado, sem nenhuma assistência, numa sala vazia da escola local. Após 24 horas e numerosas consultas chega a ordem: Che Guevara deve morrer.
O capitão Gary Salgado, chefe da companhia de rangers do 2º regimento que o capturou, dispara-lhe nas costas um rajada de metralhadora, de cima para baixo. O Coronel Andrés Selnich, comandante do 3º Grupo Tático, dá-lhe o tiro de misericórdia, com sua pistola 9 mm. A bala atravessa-lhe o coração e o pulmão.
Está morto o símbolo da guerrilha na América Latina, que se achou mais útil ao seu povo servindo à causa da Revolução Internacional que à da Medicina.
A extinta TV Tupi foi a única emissora de televisão no mundo a filmar o corpo de Che. A equipe estava em Valegrande, em virtude de problemas com o carro que a transportava, a caminho de Camiri, onde haveria o julgamento de Régis Debray, companheiro de Che que havia sido preso quando chegou a notícia da morte de Che. Filmaram a chegada de helicóptero, que trazia o corpo do guerrilheiro amarrado na sua parte exterior, o povo que o esperava e em seguida sua autópsia realizada num casebre que servia de necrotério ao Hospital Senhor de Malta, em Valegrande.
"Um Ernesto Che Guevara magro, de barba rala, olhos muito abertos e um sorriso estranho nos lábios mortos", lia-se no Jornal da Tarde de 11 de outubro de 1967.
Logo após mostrarem o corpo aos poucos jornalistas que conseguiram chegar a tempo ao local, arrancaram-lhe o dedo indicador, não se sabe pra quê, e incineraram seu corpo, pois temiam um peregrinação ao seu túmulo.
Em 1971, Fidel Castro tentou trocá-lo porprisioneiros cubanos, mas a Bolívia se recusou a negociar.
 "De Che nunca se poderá falar no passado." Fidel Castro.        

publicado por nunune às 13:19
link do post | comentar | favorito

BOB MARLEY

 

Em quanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos havera guerra.
Bob Marley

Não preciso ter ambições. Só tem uma coisa que eu quero muito: que a humanidade viva unida... negros e brancos todos juntos.
Bob Marley
Não tocamos para agradar os críticos. Tocamos o que queremos, quando queremos e o quanto quisermos. E temos motivos para tocar.
Bob Marley
Eles dizem que o sol brilha para todos, mas para algumas pessoas no mundo ele nunca brilha.

 

publicado por nunune às 12:51
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. pensamentos de Bob Marley

. Fácil e difícil

. "Amizade..."

. Chorando com a Chuva

. VIDA DE BOB MARLEY

. BIOgrafia de BOB MARLEY

. Amilcar Cabral

. Amigos de CHE Guevara

. Historia de Che guevara

. O ultimo combate de che g...

.arquivos

. Maio 2009

. Abril 2009

SAPO Blogs

.subscrever feeds